Publicidade médica nas redes sociais: o que pode e o que não pode
- Elisa Cardoso

- 9 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O uso das redes sociais por médicos e clínicas virou parte do dia a dia. Seja para explicar um procedimento, trazer informação de saúde ou mostrar bastidores da rotina, a internet se tornou uma vitrine.Mas, junto com essa presença digital, veio também a fiscalização do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Para evitar problemas éticos, multas e processos, é importante entender exatamente onde estão os limites.
O que é permitido na publicidade médica
Informação e educação
O médico pode — e deve — usar as redes para informar. Explicar doenças, falar de prevenção, comentar estudos e orientar o público faz parte da função social da medicina.Tudo isso é permitido, desde que sem sensacionalismo.
Divulgação básica dos serviços
Também é autorizado divulgar:
especialidade registrada no CRM,
endereço e contatos da clínica,
horários de atendimento,
explicação de como funciona um procedimento (sem prometer resultado).
É uma forma legítima de orientar quem procura atendimento.
Bastidores e rotina profissional
Mostrar momentos do consultório, congressos, cursos, materiais de estudo e o dia a dia do trabalho é permitido, desde que não envolva exposição de pacientes.
O que NÃO pode
Essa é a parte mais delicada. A maioria das infrações acontece aqui.
Antes e depois
É totalmente proibido. Mesmo com o consentimento do paciente.O CFM entende que as imagens podem criar falsas expectativas e transformar o ato médico em produto — por isso, é uma das regras mais rígidas.
Promoções, preços e sorteios
A medicina não pode assumir caráter comercial.Então, são proibidos:
anúncios de preços,
“promoções do mês”,
descontos, rifas ou sorteios,
campanhas de “procedimento grátis”.
Exposição de pacientes
Mesmo que o paciente autorize, a orientação do CFM é evitar qualquer tipo de exposição.A imagem pode trazer constrangimento futuro e cria risco de publicidade sensacionalista.
Prometer resultados
Frases como “garantia”, “resultado certo”, “o melhor”, “transformação”, ou qualquer promessa de efeito são proibidas.Na medicina, não existe resultado absoluto.
E os influenciadores? Pode usar?
Depende.
Pode:
Conteúdo espontâneo, em que o influenciador fala da própria experiência.
Não pode:
Divulgação de preço,
Chamadas de venda,
Propaganda comercial direta,
Promessas de resultado.
Se o conteúdo parecer “publicidade contratada”, o médico pode responder num processo ético.
Regras e penalidades do CFM
A base normativa está na Resolução CFM nº 1.974/2011, no Manual de Publicidade Médica e no Código de Ética Médica.
As penalidades podem variar:
advertência,
censura pública,
multa,
em casos graves, suspensão do exercício profissional.
A fiscalização nas redes sociais é ativa, e denúncias são frequentes.
Conclusão
O uso das redes por médicos é importante, útil e ajuda muita gente.Mas precisa ser feito com cuidado.
A regra geral é simples: informar, sim; comercializar, não.Evitar antes e depois, promoções, promessas e exposição de pacientes já elimina a maior parte dos riscos.
Seguindo essas diretrizes, o profissional pode aproveitar a força das redes sociais sem comprometer sua ética e sua segurança jurídica.
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